Fonte: Adital
Milhares de meninos e meninas são vítimas de abuso e exploração sexual em Honduras. Somente em San Pedro Sula, segundo informações de um relatório da Promotoria da Infância citado no início deste mês em reportagem do diário La Prensa, cerca de 10 mil crianças e adolescentes são vítimas dessa violação.
O número alto pode ser ainda maior. Isso porque, de acordo com o jornal, as cifras são referentes a dados colhidos somente até o ano de 2008. As autoridades receiam que, atualizados, esses números podem ser ainda mais altos. Prova disso é que, segundo informações dadas pela Promotoria ao periódico, em somente uma semana de maio, foram apresentados 30 requerimentos contra pessoas que abusaram de pessoas menores de 18 anos.
Por conta do alto número de delitos, a Promotoria criou uma unidade especial para denúncias como abuso sexual, atos de luxúria, estupro, proxenetismo, tráfico de pessoas e violação contra crianças e adolescentes. E a criação da unidade não foi por acaso.
Em declarações a La Prensa, a coordenadora da Promotoria da Infância, Thelma Martínez, destaca que há uma preocupação com o surgimento de novas violações em San Pedro Sula, como o proxenetismo e o tráfico de pessoas para fins sexuais. De acordo com a coordenadora, as crianças e adolescentes são manipuladas e recrutados por um adulto que as seleciona conforme cor da pele, idade, altura e corpo.
O relatório revela ainda que as meninas são as principais vítimas desse tipo de violação: das crianças abusadas e exploradas sexualmente, 98% são do sexo feminino. Apesar das violações sexuais contra crianças e adolescentes serem crimes com penas que variam de cinco a dez anos de prisão, as marcas físicas e psicológicas deixadas nas vítimas dificilmente serão sanadas.
Para agravar a situação, as autoridades têm dificuldade em punir os responsáveis, pois, muitas vezes, as próprias vítimas não dão declarações contra seus violadores. Isso pode estar relacionado ao fato de o abusador ser, geralmente, alguém da família ou próxima a ela.
Mesmo quando há a denúncia e as instituições envolvidas com a criança começam a desenvolver seu trabalho, não é garantia de que tudo terminará bem. De acordo com um relatório que a unidade de investigação e análise da Rádio HRN teve acesso, as crianças e suas famílias podem ainda enfrentar diversos problemas no procedimento judicial, como falta de trabalho conjunto dos fóruns civil e penal, e ausência de pessoal para desenvolver um acompanhamento de atenção à vítima.
Com informações de La Prensa e HRN