Adolescentes participaram na tarde desta segunda-feira (17) do lançamento do filme Sonhos Roubados. O filme conta a história de três adolescentes da periferia do Rio de Janeiro, que acabam tornando-se vulneráveis ao abuso e a exploração sexual. Porém apesar de toda a adversidade elas sonham, divertem-se e lutam para alcançar seus objetivos como qualquer adolescente.
A secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo, falou da importância da realização de obras como essas. “Filmes como esse são importantes para a sensibilização junto à sociedade”, constata.
Ao final da apresentação as atrizes Kika Farias e Amanda Diniz, protagonistas do filme, participaram de um debate juntamente com a autora do livro As meninas da esquina – Diários de seis adolescentes que vivem no lado selvagem da vida, da jornalista Eliane Trindade,obra que deu origem ao filme.
A jornalista Eliane Trindade falou que a escolha do tema de seu livro surgiu de uma vontade em falar sobre o assunto. Mas, segundo a autora, quando viu o material chegou a conclusão que não caberia em uma matéria, mas sim em um livro. “Fiz o livro baseado em diários que entreguei às seis meninas”. De acordo com a autora, ao procurar representantes de ong’s estes afirmaram que as meninas não fariam os diários. “Entreguei seis diários para que eu tivesse pelo menos três, porém todas as meninas fizeram os seus diários”. Eliane ressaltou ainda que os diários tiveram que ser gravados porque a maioria das meninas não eram alfabetizadas.
Apesar do livro contar a história de seis adolescentes, a diretora do filme Sandra Werneck, condensou as características delas em três personagens Jéssica, Sabrina e Daiane vividas respectivamente pelas atrizes Nanda Costa, Kika Farias e Amanda Diniz.
A atriz Kika Farias, durante o debate, falou de como foi a composição de seu personagem “eu já conhecia a realidade da periferia do Recife, nós também convivemos na favela do Vidigal, mas não chegamos a ter contato direto com meninas que fazem programas”, explica.
A atriz Amanda Diniz afirma que morou por seis meses na favela do Vidigal, mas que teve todo o apoio e acompanhamento para que pudesse compor o personagem. “Eu tenho a mesma idade da minha personagem (15 anos) eu tive um acompanhamento para não misturar a Daiane com a Amanda”, explica.
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando a jornalista Eliane Trindade falou que duas das seis meninas que participaram do livro foram assassinadas, uma delas corresponderia à personagem Jéssica no filme.
O representante da Childhood, Itamar Gonçalves, contou que viu o filme no processo de edição. “Eu vi a construção desse trabalho e de sua importância para o combate ao abuso e exploração sexual de adolescentes” explica.
O evento é uma realização do Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Childhood, Cinemark Brasil e Cineluz Produções.